Professor Daniel Deivys

Professor Daniel Deivys

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Especialista dá dicas para organizar tempo na prova do Enem

Mesmo faltando dois dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ainda dá para planejar como será a execução da prova, aplicada nos dias 8 e 9 de novembro. A assessora pedagógica do grupo Saraiva e doutoranda em Linguística Aplicada pela Unicamp Carolina Assis Dias Vianna dá dicas de como se organizar no tempo de respostas e como ir bem na redação do exame. Segundo ela, é preciso distribuir bem os minutos para que nenhuma das áreas seja comprometida.

“Especialmente nesse exame, é importantíssimo saber administrar o tempo gasto em cada parte da prova. Não adianta passar metade do período fazendo uma ótima redação e não conseguir fazer as 90 questões. Da mesma forma, não é interessante fazer um texto ruim correndo para ter mais tempo para as 90 questões”, explica

Para a especialista, que tem vasta experiência na correção de redações do Enem e de vestibulares, o ideal é que o estudante reserve em torno de 1h10 para produzir seu texto. Para isso, ela sugere que a organização do tempo na avaliação 
se dê da seguinte forma:



13h a 13h40: leia com atenção a proposta e os textos motivadores e prepare o seu projeto de texto, deixando sua primeira versão pronta na folha de rascunho;

13h40 a 17h20: vá para as questões objetivas, lembrando que você deve fazer perto de 25 questões por hora, gastando cerca de 2 minutos em cada uma. Aquelas cuja resposta você não sabe devem ser puladas nesse primeiro momento. Mas vai aí um alerta: não pule mais de 9 questões!

17h20 a 17h50: volte a seu texto para passá-lo a limpo. Certamente, você perceberá problemas que não tinha visto enquanto fazia o rascunho e já conseguirá resolvê-los nessa revisão. Além disso, tudo o que você leu na prova inconscientemente permitirá que se afaste do texto e reavalie suas ideias de forma mais crítica. Porém, não esqueça: você tem apenas meia hora, então não poderá mudar tudo e escrever outro texto, trata-se apenas de uma breve leitura crítica e revisão;

17h50 a 18h10: Passe para o cartão de respostas as questões que já respondeu.

18h10 a 18h30: Volte para as questões que deixou em branco e, à medida que as for resolvendo, passe as respostas para o cartão. Fique atento à quantidade que falta e quanto tempo você poderá gastar em média para resolver cada uma delas.

“É importante que o estudante faça esse teste de tempo antes do dia da avaliação. Se não teve oportunidade em algum simulado da escola, pode fazer em casa: imprima uma prova de anos anteriores e coloque o cronômetro em ação. Faça isso quantas vezes for possível! Esse treino deixará o rendimento e a administração do tempo cada vez melhores e trará mais segurança e confiança para o dia da prova”, recomenda Carolina.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dino: Desenvolver o Maranhão como o PCdoB defende desenvolver o Brasil

O primeiro governador eleito pelo PCdoB, Flávio Dino (Maranhão), em entrevista concedida ao programa Poder e Política, da Folha de S.Paulo e UOL, destacou que a vitória nas urnas no estado foi uma conquista do povo que derrotou as oligarquias que se instalaram por mais de cinco décadas.


Reprodução Folha online
Eleito pelo PCdoB, Flávio Dino afirma que o Maranhão será governado "de modo soberano e independente"Eleito pelo PCdoB, Flávio Dino afirma que o Maranhão será governado "de modo soberano e independente"
Na entrevista divulgada nesta terça-feira (4) na edição da online daFolha, Flávio Dino apontou a direção do seu governo: “Desenvolver o Maranhão como o PCdoB defende desenvolver o Brasil, de modo soberano, independente, com ciência, tecnologia. Não há incoerência entre aquilo que vamos fazer no Maranhão e aquilo que o meu partido acredita”.

Flávio Dino ressaltou que as eleições no estado tiveram um papel histórico por conta da ofensiva das forças populares contra um grupo que representava o coronelismo à moda dos anos 50. Indagado se ele estava se referindo à família Sarney, Dino respondeu: “Sim. Como todo o Brasil sabe, é a família e o grupo político constituído a partir desse núcleo familiar que hegemonizou a política maranhense nas últimas cinco décadas”.

A família de José Sarney dominava o cenário político da região desde 1965, quando Sarney, hoje senador pelo Amapá, foi eleito governador do Estado. Atualmente, a sua filha, Reseana Sarney (PMDB), é a governadora do estado, e o adversário de Dino, Edinho Lobão, era o candidato da família.

Segundo Dino, o desafio é pôr fim ao “sistema de formação de clientelas, de negação da cidadania” imposto pelo grupo sarneysista ao logo dos anos. “Estamos procurando superar esse momento. Afirmar os valores da República, a separação do público com a esfera privada, garantir que todos tenham oportunidades. Garantir o cumprimento do princípio da legalidade. Isso é absolutamente imprescindível para o Maranhão no que se refere a compras governamentais, contratos, obras e contratação de servidores públicos. Princípio da impessoalidade, valorização do mérito de cada um. São esses desafios que estão postos sobre a mesa”, argumentou Dino.

Na entrevista, ele fez um balanço da campanha, das alianças que o levaram à vitória e das propostas de governo. “Apresentamos um programa baseado na noção da honestidade, transparência, romper com o patrimonialismo, enfrentar o ciclo de corrupção na política maranhense e melhorar a vida das pessoas. Garantir que esse dinheiro público, hoje apropriado por pequenos grupos, possa se traduzir em políticas sociais para todos. Fizemos uma aliança plural, ampla e democrática, que era necessária para dar esse salto adiante”, pontuou.

Dino, que concedeu a entrevista na segunda (3) em Brasília, afirmou que o objetivo de seu governo é garantir o desenvolvimento econômico do Maranhão, mas com participação popular e inclusão. “Garantir o cumprimento da lei, dos contratos, incentivar os investidores privados. Novas formas de organização do estado que contemplem a participação popular, mas que permitam também o desenvolvimento daqueles que querem empreender, investir, que venham para o Maranhão, acreditem no nosso porto, na nossa infraestrutura. Qualificar os recursos humanos”, detalhou o governador eleito.

Reeleição de Dilma ajuda o Maranhão

Sobre uma possível rusga política que a imprensa tenta criar por conta do fato da presidenta Dilma Rousseff não ter participado da campanha no estado porque o partido de seu adversário, Edinho Lobão (PMDB), compunha a chapa nacional da campanha pela reeleição, Dino destacou: “Eles [família Sarney] fazem uma análise segundo a qual uma das principais responsáveis pela derrota no Maranhão foi a presidenta Dilma. Eles verbalizam isso no âmbito do próprio grupo e às vezes publicamente dão a entender. O próprio candidato [Edinho Lobão, do PMDB], que foi o meu adversário, disse isso expressamente”.

Flávio Dino reafirmou que o saldo das urnas é de vitória do campo progressista. “O mais importante é que nós conseguimos fazer esta aliança, vencemos, a presidenta Dilma [Rousseff] foi eleita. O que nós queremos é que a presidenta Dilma, o governo federal, ajude o Maranhão. E espero que a bancada do PT no Congresso, onde tenho muitos amigos, também me ajude nesse processo... E tenho certeza que a presidenta Dilma vai ajudar muito o Maranhão”.

Entre as principais medidas que vai tomar ao assumir o governo do Maranhão a partir de 1º de janeiro de 2015, está a criação da Secretaria da Transparência e Controle e o aperfeiçoamento do Portal da Transparência. “São medidas práticas que demonstram o nosso total compromisso com as ações preventivas em relação ao mau uso do dinheiro público. Vamos executar o Orçamento que está sendo debatido na Assembleia com a visão de que nós precisamos melhorar a vida do povo do Maranhão”.

Habitação, falta d'água e presídios
Outra prioridade, segundo Dino, é investir na habitação e combater a falta de água. “Temos um déficit habitacional no Maranhão de 450 mil moradias. Água na casa das pessoas. O Maranhão é cortado por rios perenes, mas tem um problema de abastecimento de água crônico. Eu diria que muito mais impressionante do que a situação de São Paulo, com o sistema Cantareira. Essa situação aguda vivida agora em São Paulo, nós vivemos isso há décadas, de escassez de água, de negação de fornecimento, de racionamento”, declarou.

Flávio Dino também falou sobre a grave crise do sistema penitenciário maranhense, que culminou em rebeliões como a do presídio de Pedrinhas, com a morte de dezenas de presos, inclusive por decapitação. Dino, que já foi juiz e membro do Conselho Nacional de Justiça, afirmou: “Precisamos, em primeiro lugar, recuperar a autoridade sobre o sistema [penitenciário]. Hoje quem controla o sistema são dois grupos organizados de criminosos. Controlam o crescimento da criminalidade intramuros e também fora dos muros de Pedrinhas. Hoje temos praticamente três assassinatos por dia na região metropolitana de São Luís, muito em razão do crescimento do tráfico de drogas, do crack”.

Dino afirma que é necessário também concluir a implantação de novas estruturas físicas, de modo a descentralizar a execução penal. “A execução penal hoje é basicamente centralizada em São Luís e essa é uma das razões pelas quais aconteceram tantos problemas”, disse Dino, enfatizou que é necessário solucionar o déficit prisional. “Nós temos um déficit que não é dramático, mas deve ser enfrentado até para humanizar o cumprimento da execução penal”, completou.

Elevar o IDH é compromisso

Sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em que o Maranhão detém o segundo pior do Brasil, Dino explicou: “A resposta para este fosso está exatamente na política. Como a política concentrou riqueza pela via do patrimonialismo e da corrupção, essa riqueza não chegou até a casa das pessoas”.

Flávio Dino destacou que é inaceitável que o estado que tem o 16º maior PIB do Brasil apresente tais índices. Finalizou destacando que o seu compromisso é mudar essa realidade. “Mais do que uma promessa, é um compromisso de vida. Tenho convicção que isso é possível”.

Da redação do Portal Vermelho
Com informações da Folha

Sabatistas apontam erro em cartão do Enem e dizem que não farão prova

Estudantes do Piauí garantem que solicitaram atendimento especial na prova.
Inep nega erro e problemas nos registros de quem guarda os sábados.


Faltando três dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), alguns estudantes sabatistas foram pegos de surpresa ao não virem a informação de atendimento especial destacada no cartão de confirmação e afirmaram que não farão as provas no sábado (8) e domingo (9) após o erro. Segundo os piauienses, a opção foi solicitada durante as inscrições e eles culpam o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Inep) pelo problema.
Estudante Aline Evely diz que não fará o Enem após erro no cartão (Foto: Aline Evely/Arquivo Pessoal)Estudante Aline Evely diz que não fará o Enem após erro no cartão (Foto: Aline Evely/Arquivo Pessoal)
A estudante Aline Evely Freitas Silva, 17 anos, diz ter pedido atendimento especial por ser sabatista e que tomou um susto ao verificar o cartão on-line ainda na segunda-feira (27). "Eu tenho certeza que preenchi a opção e ao perceber o erro, liguei para o Inep. Eles falaram que iriam encaminhar o caso para o responsável e enviariam para o meu email o protocolo, mas nada ocoreu até hoje. O cartão já chegou na minha casa e a informação continua errada", contou.
Para a adolescente a situação é constrangedora. "É muito triste você estar terminando o terceiro ano, sonhando com o curso de arquitetura e não pode fazer nada. São os meus princípios e não pretendo fazer o Enem se for assim", destacou.
Outro que relatou ter tido o mesmo problema foi Matheus Evangelista, de 18 anos. O candidato faria o exame pela terceira vez e devido ao erro no cartão descartou a possibilidade de fazer a prova. "Achei estranho ter ficado no colégio diferente dos meus amigos, também sabatistas, então olhei que a opção de atendimento especial não estava preenchida. Não entendo o que aconteceu, pois nas outras edições ocorreu tudo normal", disse.
O aluno revelou ter feito preparatório para o Enem e que almeja cursar direito, mas depois do imprevisto decidiu se inscrever numa faculdade particular. "Estou com uma semana tentando reverter a situação, mas o Inep avisou que iria mandar um documento por email e nunca enviaram. Não vou esperar mais, o jeito é pagar pelo curso", relatou Matheus.
Pela primeira vez no Enem, a sabatista Sefora Franco, de 15 anos, declarou que também não fará as provas porque não teve o atendimento especial confirmado no cartão. "Iria fazer o exame somente como treineira, só que agora nem mais assim farei por causa disso. Ainda tentei ligar para o Inep, mas não deu certo e ao ouvir relatos de outros amigos sabatistas e até adventistas que tiveram o mesmo erro e não conseguiram resolver, deixei de lado", disse.
O Inep afirmou que não houve erro no sistema no período de inscrições e negou qualquer registro de problemas relacionados aos candidatos que guardam os sábados. Ao todo, 69.396 candidatos solicitaram atendimento especial por causa da religião. Candidatos que seguem religiões que guardam os sábados, como o judaismo e o adventismo, chegam aos locais de prova no mesmo horário dos outros alunos (13h do horário de Brasília) e ficam em confinamento até o pôr do sol, quando começam a fazer o exame.

Rachel Sheherazade fala sobre preconceito contra NORDESTINOS


Presidente da OAB abre representação contra preconceito a nordestinos

 
Jornal GGN - As manifestações de racismo e preconceito contra os nordestinos fizeram o presidente da OAB Nacional, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, abrir uma representação criminal contra duas internautas, uma do Facebook e outra do Twitter, que realizaram ataques de cunho discriminatório. 
 
O presidente da OAB solicitou, também, à Polícia Federal que abra um inquérito para investigar os fatos apontados. "Sendo constatada a prática de ilícito penal, providencie a remessa dos autos ao Ministério Público para avaliação do ajuizamento da competente ação penal", exige Coêlho ao diretor-geral do Departamento de Polícia Federal.
 
As manifestações a que Marcus Vinicius Furtado Coêlho fez referência são de Regina Zouki Pimenta, em sua página do Facebook, e de Amanda Regis, pelo Twitter, em que ambas realizam os ataques de ódio, praticam racismo e incitam o ódio e a discriminação, como demonstra a linguagem utilizada pelas duas, pela simples "razão de procedência nacional" dos agredidos.
 
“Hoje, qualquer suposto preconceito contra cariocas, nordestinos e baianos deixou de existir, porque virou Pós Conceito! Bando de filhos da puta que destruíram nosso país e a economia por migalhas! Desejo do fundo do coração que sejam tomados pela desnutrição, que seus bebês nasçam acéfalos, que suas crianças tenham doenças que os médicos cubanos não consigam tratar, que o Ebola chegue ao Brasil pelo Nordeste e que mate a todos! Só outra arca de Noé para dar jeito!”, publicou uma.
 
“Esses nordestinos pardos, bugres, índios acham que tem moral, cambada de feios. Não é atoa que não gosto desse tipo de raça”, divulgou outra.
 
A representação criminal da OAB utiliza dois casos para encaminhar à Justiça. Se o Ministério Público considerar que houve a prática dos crimes, após a investigação da Polícia Federal, os dois casos servirão de exemplo para outras ações e processos judiciais.
 
As discriminações foram notórias durante o período de eleições presidenciais deste ano. De acordo com os artigos 286 e 287 do Código Penal, essas práticas se enquadram em crime e a denúncia pode ser feita por qualquer cidadão.
 
 
Sem burocracia, é fácil realizar as denúncias para o Ministério Público Federal, que intermedia as possíveis aberturas de processos. Basta registrar os dados no sistema de denúncia online do órgão.
 
Também existe a possibilidade para aqueles que não querem se identificar. A ONG SafernetBrasil, em parceria com o MPF, criou o site de denúncias anônimas de discriminação, preconceito ou incitação ao crime na web: o www.denuncie.org.br. As denúncias anônimas são encaminhadas aos órgãos públicos competentes para produzir as ações.
 
Diante de tantas manifestações racistas, um grupo criou o site Esses Nordestinos. É mais uma mobilização para conscientizar e tornar transparentes as publicações de ódio e preconceito veiculadas no Facebook, Twitter e demais redes sociais.
 
A página reune as postagens e fornece dicas de como denunciar diretamente para o Ministério Público Federal. "Enviar prints de manifestações xenofóbicas para este tumblr ajuda a expor o problema e gerar discussão, mas se você quer dar um passo adiante e fazer com que os autores das mensagens respondam por suas palavras, considere fazer uma denúncia formal no site do Ministério Público Federal", conscientiza o portal.

Leia a representação criminal da OAB:
 
 

Os EUA tremem: “Próximo passo é criação de uma moeda comum para os Brics”

Diretor-geral da Corporação de Pesquisa e Produção Uralvagonzavod, Oleg Sienko fala sobre como a Rússia pode trabalhar com os seus parceiros do Brics para resolver problemas estruturais e até que ponto as sanções ocidentais colocaram a economia russa em uma situação difícil.


Brics Business Magazine: No final de setembro, o Banco Mundial publicou três cenários de médio prazo para o desenvolvimento econômico da Rússia. O melhor deles prevê baixo crescimento do PIB nos próximos anos. Entre outras coisas, os especialistas do banco apontam que não será possível obter uma maior aceleração do crescimento econômico simplesmente a mantendo a atual política de estímulo fiscal. Você concorda com essas conclusões? Como você avalia a situação atual da economia russa?

Oleg Sienko: Está longe de ser uma questão simples. Já ficou claro que as sanções têm causado sérios problemas. É difícil contrapor os cenários expostos pelos especialistas do Banco Mundial - não haverá grande crescimento, especialmente nos pilares da economia.

No entanto, também é certo que o país deve tomar medidas para estimular a economia, independentemente das limitações orçamentais. Outros países têm conseguido encontrar seu caminho para sair de crises semelhantes, injetando dinheiro na economia.

Na minha opinião, há um outro aspecto que é muito importante neste caso. Se quisermos sair da crise rapidamente, o governo tem que ser muito mais proativo do que têm sido. Decisões lentas significam que os esforços para combater a crise deverão ser dobrados.


BBM: Como essa lentidão do governo se manifesta?

OS: Há setores-chave da economia que precisam de apoio imediato. Nós mesmos criamos alguns desses problemas adotamos leis a torto e a direita, e agora estamos correndo atrás para superá-las. Por alguma razão, ninguém parece se preocupar com esse tipo de incoerência política, mesmo que seja um ponto muito importante. Mas não para por aí. A ajuda do governo não deve se limitar à injeção de dinheiro na economia; também deve se concentrar em proteger e preservar o mercado interno. Até agora, tem sido justamente o oposto. Quando a Rússia aderiu à OMC, quase todo mundo ganhou acesso ao mercado russo.
Vamos pegar o exemplo da indústria automotiva. A meta de 50% de localização, que é construída em acordo com as empresas automotivas no exterior e governa a montagem industrial, ainda é tão inatingível como sempre foi. Empresas metalúrgicas russas fabricam chapas de carro, mas elas não são usadas, ou pelo menos não na medida em que poderiam ser. Por não produzir as peças no mercado interno, deixamos de estimular outros setores da nossa economia, como a indústria de mineração, metalurgia, o setor da construção, e a lista continua.


BBM: Você defende uma aproximação entre os países do Brics, incluindo a criação de uma moeda comum. Por que isso é tão importante? E qual viável é essa iniciativa?

OS: É totalmente viável. Os países do Brics, juntos, correspondem a metade da população do planeta, e já deram um importante passo para a criação de um mecanismo financeiro independente. Refiro-me ao recente acordo para criar um Banco de Desenvolvimento do Brics e um pool de divisas de reserva para contrabalançar instituições como o FMI. O próximo passo lógico seria a criação de uma moeda comum para os países do Brics. Na minha opinião, essa medida permitiria que os países se afastassem da dependência dos centros financeiros ocidentais e do dólar americano como principal moeda de reservas e transações. Este é o passo mais realista, que poderia anunciar a melhoria econômica em todos os países do grupo, incluindo a Rússia.


BBM: Na sua opinião, qual mecanismo seria necessário para criar essa moeda? 

OS: Os países teriam que escolher uma 'moeda dos Brics' para todas as transações entre os países do grupo e atrelá-la ao euro para facilitar a conversão; em seguida, criar centros monetários e de transação, bem como um sistema de pagamento próprio.

Tenho certeza que muitos países da América Latina, Sudeste Asiático e África iriam gradualmente usar essa moeda, já que estão ficando cada vez mais cansados ??da hegemonia do dólar e euro - as duas únicas moedas em que as coisas são compradas e em que os investimentos são feitos.

Se isso acontecer nos próximos três anos, esse novo sistema de pagamento global englobaria pelo menos 70% de todos os países, em termos de população mundial, o que poderia nos livrar do dólar de uma vez por todas.


BBM: Como é que uma moeda comum do Brics poderia se diferenciar do dólar ou do euro?

OS: A diferença é que seria apoiada por ativos e recursos reais - incluindo recursos humanos, naturais e matérias-primas - nos quais nossos países são ricos. Muito provavelmente, uma vez que essas medidas forem introduzidas, o mundo ficará dividido em dois grupos: o “progressista”, que incluiria países dos Brics e os mercados emergentes alinhados a eles; e os “pessimistas”, que incluiria os Estados Unidos, a Europa e os países associados a eles.

É por isso que criar a nossa própria moeda é um passo vital. Quanto mais cedo ocorrer, maiores serão os avanços no nosso desenvolvimento econômico e melhores as nossas chances de construir uma aliança poderosa e independente para contrabalançar os EUA.


BBM: Você poderia resumir os principais passos que a Rússia e demais países devem tomar para compensar as consequências das sanções e para levar suas economias para um novo nível tecnológico?

OS: Como eu disse antes, o primeiro passo seria a criação de uma moeda comum. O segundo seria remontar a nossa base tecnológica em conjunto com nossos parceiros. Nem todas as tecnologias importantes estão disponíveis nos países que introduziram sanções contra nós. Além disso, há países no Ocidente que adotaram uma perspectiva mais sóbria; eles têm as tecnologias que precisamos, mas não possuem matérias-primas. Precisamos negociar e encontrar maneiras de alcançar e explorar as oportunidades de benefício mútuo. Claro que também precisamos construir tecnologias por nós mesmos.

Enfim, o terceiro passo está relacionado a infraestrutura, e talvez esta seja a área mais importante. O desenvolvimento de infraestrutura estimularia outras indústrias, porque é a base sobre a qual tudo é construído - do prego à parte mais complexa de qualquer equipamento. Para que isso aconteça, precisamos adotar uma nova maneira de pensar e começar a lidar com essas questões. Precisamos fazê-lo imediatamente, e não procrastinar hábitos como de costume.